// Matta-Clark //
Building Cuts
“[Matta-Clark é] alguém que poderia transformar o lixo da cidade em algo além.“
Jane Crawford sobre Matta-Clark em
Gordon Matta Clark Exhibit at Whitney walk through with Jane Crawford
A ressignificação do lugar é o estopim para o novo. O espaço abandonado da cidade torna-se algo além, com novas possibilidades. Os resíduos e detritos de uma cidade deixada para trás podem ter nova vida, ao invés de servirem apenas como o lixo do espaço. O espaço/estrutura/forma/usos podem ser redefinidos e reutilizados, a fim de interromper o processo de deterioração e iminente fim.
Matta-Clark se utiliza do termo “anarchitecture“, que pode ser lido como “anarco-arquitetura”, para falar de diversos de seus trabalhos. O que ele busca é ressignificar espaços subutilizados, sem atenção. Trazer da aparente impossibilidade da arquitetura algo possível, algo inimaginável.
Para ele, a cidade é instável e polimórfica, e são as inúmeras influências e ações no espaço que a configuram, assim como alteram a realidade humana. Essas duas condições, a humana e da cidade estão interligadas. O algo além da cidade é que transforma a sociedade.
É preciso que, assim como Matta-Clark faz com seus trabalhos, os espaços do território do porto tenham suas potencialidades observadas e trabalhadas, a fim de evitar mais um abandono. São inúmeras as possibilidades da região, que podem trazer para o ambiente algo que vá muito além do que ele é hoje. São as ruínas que guardam em si as memórias do que foi construído e destruído; são os espaços livres que se fecham e isolam os espaços da cidade; são as barreiras que se colocam nos caminhos e impedem a apropriação. No porto do Rio de Janeiro, essas são as impossibilidades que devem ser vencidas.
MOURE, Gloria, Gordon Matta-Clark Works and Collected Writings, 2006, Ediciones Polígrafa, Barcelona, Museu Nacional Centro de Arte Reina Sofia, Madri