Esse trabalho de conclusão de curso não obedeceu a uma lógica linear. As indagações culminaram numa pesquisa em universos distintos, e todas as inquietações que surgiram ao longo do processo contribuíram para o pensamento sobre o território da região portuária. Num momento inicial, o foco de trabalho foi o Galpão Aplauso, que abriga atividades culturais, educacionais e profissionalizantes para jovens e adultos de baixa renda. O projeto funciona num antigo galpão da Companhia das Docas do Rio de Janeiro, que foi cedido para o funcionamento dessas atividades. Ele fica localizado na Avenida General Luís Mendes de Moraes, no bairro do Santo Cristo, uma avenida paralela à Avenida Francisco Bicalho. Essas duas avenidas estão dentro de um zoneamento muito específico do projeto Porto Maravilha para a região portuária: é nele que estão previstos os maiores gabaritos comerciais de toda a região. São 150 metros de altura para cada nova torre construída. O cenário futuro, que é traçado através desse zoneamento é de expulsão dessas atividades do local, e mudança completa do que acontece nesse espaço do bairro. Mas para que tudo o que pode acontecer nesse entorno fosse entendido, era necessário olhar para os espaços ao redor, e entender como as mudanças estão afetando a região como um todo. Com esse olhar, a zona de estudo foi sendo ampliada, e diversas novas questões surgiam a cada novo passo dado, e o estudo do impacto do Galpão Aplauso, como apenas um núcleo de resistência no território, não dava conta de um espaço tão complexo.
A pesquisa cresceu então, nesse momento, até a identificação de diversos outros pontos de resistência dentro do porto. Pontos que resistem à especulação imobiliária, ao apagamento de memórias existentes, ao surgimento de novas escalas e usos; e cada um deles tem a sua importância dentro do seu propósito.
Com tantos lugares resistindo assim como o Galpão Aplauso, foi construído o entendimento que não há como resolver tantas questões apenas projetando melhorias para um desses espaços.
Através dessa lógica, foram buscados meios de construir relações entre esses espaços, que constituíssem algo maior, algo que se colocasse sobre o território como um todo. Essa solução foi encontrada momentaneamente pela reestruturação urbana de trechos da cidade (Galpão Aplauso e entorno, Praça do Santo Cristo e Praça da Harmonia), escolhidos de acordo com especificidades que estavam diretamente ligadas ao projeto Porto Maravilha e suas alterações da malha urbana. Em cada um desses três pontos, há mudanças significativas do que é existente. Essa reestruturação foi pensada partindo da escala do pedestre, resolvendo questões de sombreamento, passeios, espaços livres e de apropriação.
No entanto, esse pensamento de resolução de problemas não se mostrou tão eficaz a ponto de resolver todas as complexidades. O caminho traçado nesse trabalho culminou num apanhado de questões que se mostram tão intrigantes e que muitas vezes são disfarçadas e não trazidas à tona.
Esse foi então o ponto em que a pesquisa culminou. O ponto de trazer luz sobre essas questões que se encontram sobre esse território, que alteram as dinâmicas existentes, que se colocam como discurso de revitalização mas desconsideram as pré-existências. Esse entendimento e pensamento crítico sobre essas problemáticas é que é posta em prática aqui.
Para ver cada uma dessas etapas de maneira mais detalhada, estão disponíveis nos links ao lado, cada parte desse processo.