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// Saramago //

O conto da ilha desconhecida

Em “O conto da ilha desconhecida”, Saramago nos apresenta o embate com o Status Quo. O conto relata a história de um rei que, até então, nunca pareceu disposto a se preocupar com as necessidades dos súditos, e apenas com o que lhe agradava, apenas aos obséquios. O personagem principal do conto, o homem, desafia o imaginário existente ao propor partir em busca de alguma ilha que ainda fosse desconhecida, enquanto todas as pessoas que o ouviam tomava como natural o fato de todas as ilhas já serem conhecidas. Percebe-se uma aceitação natural com o estado das coisas, e é a inquietação, o não estar satisfeito que se torna o estopim para o novo, para as descobertas. É o embate com o status consolidado, o enfrentamento de adversidades, ao mesmo tempo que vai descobrindo suas necessidades para alcançar seu objetivo, para vencer as barreiras.

 

Partindo para a lógica dessa pesquisa, de maneira a trazer esses pensamentos para a realidade da cidade, fica entendido que a atenção às necessidades e não só as concessões atuais dentro das reformas no porto da cidade, irá encontrar caminhos para ir de encontro à iminente gentrificação. A lógica construída para a região desconsidera o usuário local, desconsidera as dinâmicas existentes e propõe outra. Propõe novos usos, novos programas, novas características. Há de se pesquisar, entender, buscar, os caminhos possíveis dentro de um território que nos é forçado a ver como ausente de um contexto, onde se constrói o que serve de interesse ao capital. Quais são as relações, os lugares, as trocas, as memórias, que estão sendo deixadas de lado para que se construa o Porto Maravilha?

SARAMAGO, José, O conto da ilha desconhecida; São Paulo: Companhia das Letras - 1998

© 2017 por Guilherme Motta

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