// Paola Berenstein //
Corpo & Cidade
O espaço urbano não pode ser entendido como objeto estanque, construído e imutável. A cidade não deve ser pensada como esse lugar em que as pessoas devem se adaptar a ele, pelo contrário: a cidade se desenvolve através das necessidades humanas e suas possibilidades. Os espaços públicos contemporâneos são organizados segundo uma lógica de consumo, que restringe a apropriação pública, restringe a livre atividade humana (Brito, Jacques - 2012). Não há como experienciar um território se ele já nasce e se desenvolve expulsando quem ouse o enfrentar. Expulsa o usuário ao impor uma nova arquitetura, um novo espaço, uma nova lógica imobiliária, novas dinâmicas do lugar.
É com esse pensamento que, dentro da estrutura dessa pesquisa, é percebida a necessidade de consolidação de espaços que tenham o potencial de resguardar memórias, escalas locais e relações. O se colocar, se impor, se consolidar enquanto espaço local é que irá garantir que as vivências não se percam, e ao mesmo tempo, agregar novas possibilidades. É permitir a percepção humana dentro desse território, é permitir experiências dentro do espaço urbano.
BRITO, Fabiana Dultra; JACQUES, Paola Berenstein; Corpo & Cidade: Coimplicações em processo, REV. UFMG, Belo Horizonte, v.19, N.1 e 2, P. 142-155, Jan./Dez. 2012